quarta-feira, 28 de novembro de 2007

...Bebel: A Garota-Propaganda










Bebel - A Garota-Propaganda
Direção: Maurice Capovilla
1967, 103 min, Brasil

Bebel, jovem pobre e bonita, é contratada por um promotor de vendas para ser a garota-propaganda de um novo sabonete.

O sucesso da campanha é imediato e Bebel ganha rapidamente popularidade e dinheiro, porém, no mundo da publicidade, a necessidade de promover novos rostos acaba por afastar a jovem do estrelato e a joga, a cada instante, num submundo onde a única arma com que pode contar é o próprio corpo. O filme causou polêmica em sua estréia: algumas cenas são consideradas chocantes e pesadas.

Este filme integra o primeiro pacote da Programadora Brasil.

Cineclube Lanterninha Aurélio
Projeto Cultural CESMA -Santa Maria/RS - desde 1978
Filiado ao CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros

28.11.07 - 19 horas
Auditório da CESMA
Entrada franca e liberada

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

...cafundó...

Cafundó
Direção: Paulo Betti e Clovis Bueno
101 minutos , 2005

MOSTRA AFROOLHAR é uma promoção capitaneada pelo Festival Internacional do Audiovisual de Atibaia que conta com o apoio de várias entidades da sociedade civil brasileira, em especial das ligadas ao audiovisual. O Cineclube Lanterninha Aurélio - Projeto Cultural Cesma, se habilitou e recebeu 5 programas que compõem a Mostra Afroolhar, divididos entre curtas e longas metragens de diversos realizadores brasileiros para serem exibidos em cineclubes e outros pontos de exibição alternativos, comemorando a passagem do "Dia da Consciência Negra" - 20 de novembro.

Cafundó faz parte desse acervo e será exibido nesta quarta-feira, dia 21 de novembro, às 19h, aqui no Auditório João Miguel de Souza.

Tropeiro, ex-escravo, que vivia na região de Sorocaba (SP), João de Camargo deslumbra-se com o mundo em transformação do final do século XIX. Um mundo que se urbaniza, mesmo mantendo uma convivência conflituosa com a cultura rural. Mergulhado nas contradições desse tempo incerto, lidando com a exploração no trabalho e a marginalização social dos negros como ele, João experimenta o desespero e a alucinação. Salva-se reencontrando uma fé que é o resultado do sincretismo entre suas raízes africanas e a tradição judaico-cristã. Agora, João acredita ser capaz de ver Deus e sua missão, curar as pessoas. Sua morte em 1942 transformou-o numa lenda. Sua imagem ainda é encontrada em lojas de artigos religiosos no Brasil. História inspirada pela biografia de um personagem verídico.

http://www.cafundo.com.br/

http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/cafundo/cafundo.asp

Festival de Gramado 2005

  • Venceu nas categorias de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.
  • Ganhou o Prêmio Especial do Júri na categoria de Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro.
  • Indicado na categoria de Melhor Filme.


Los Angeles Pan African Film Festival 2006

  • Recebeu Menção Honrosa.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

....palestra lic rs e trailer...

A Prefeitura Municipal de Santa Maria, Centro Cultural CESMA e a ONG Santa Maria Vídeo e Cinema convidam para participar do DEBATE CULTURAL e LANÇAMENTO DO TRAILER DO LONGA-METRAGEM "DIAS E NOITES", em 05 de outubro, sexta-feira, às 19h, no auditório João Miguel de Souza, na CESMA.

O debate Cultural conta com a palestra sobre a Lei do Incentivo à Cultura RS, intitulada LIC-RS e Sistema Simplificado de Incentivo à Cultura e será ministrada por Fábio André Rosenfeld que é
Coordenador da LIC – RS.

E também com o lançamento do trailer e bate-papo sobre o longa-metragem Dias e Noites, que teve parte de suas filmagens realizadas em Santa Maria , com parte da equipe longa. O filme tem
direção de Beto Souza e produção executiva de Naura Schneider, Beto Rodrigues e Aletéia Selonk.

RESUMO:

- Palestra: LIC-RS e Sistema Simplificado de Incentivo à Cultura e
Lançamento do trailer do filme "Dias e Noites"

- Quando: 05 de outubro, sexta-feira, 19h

- Local: Centro Cultural CESMA - Rua Professor Braga, 55 - Centro - Santa Maria - RS

ENTRADA FRANCA

Realização: A Prefeitura Municipal de Santa Maria, Centro Cultural
CESMA e a ONG Santa Maria Vídeo e Cinema.

Apoio: Cineclube Lanterninha Aurélio

...cesma in blues...

O Cesma in Blues encaminha-se para sua 6ª edição, consolidando sua participação no cenário blueseiro do Rio Grande do Sul. Sua primeira edição foi realizada no Theatro Treze de Maio, em julho de 2002 com 3 bandas locais, Red House, Daniel Rosa & Saturno Blues e Paulo Noronha & Os Watts, acompanhando o clima de euforia que vivia o cenário blues santa-mariense naquele momento. O Theatro lotou com um público caloroso, apontando para a realização de uma nova edição em outro ambiente que comportasse um número maior de pessoas, num clima mais festivo.

Assim, as edições de 2003, 2004 e 2005 percorreram as principais casas noturnas da cidade, sempre em busca de condições ideais para a apresentação dos músicos e acomodações para um público fiel e exigente. A 3ª edição do evento trouxe pela primeira vez músicos de fora da cidade: de Porto Alegre veio o gaitista Andy Boy e de Florianópolis, Mustache Maia. No ano seguinte, subiram ao palco do Cesma in Blues, os cariocas da Blues Power Trio, dissidentes do Big Alambik e do Baseado em Blues. Nesse mesmo ano, Artur Aguiar & Os Colhedores de Algodão, representantes de uma nova geração de músicos de Santa Maria, se apresentaram pela primeira vez no evento.

A partir de 2006 o evento amadureceu e ganhou estrutura com aporte financeiro da Lei de Incentivo à Cultura do Município. Estiveram presentes, além das bandas locais confirmadas como a Red House, a única a participar de todas as edições até então, Os Azambujas, de São Leopoldo, Mad Dog Blues Band, de Sorocaba, SP. A 5ª edição foi realizada no Avenida Tênis Clube, clube tradicional da cidade, que ofereceu um espaço ideal para sua realização.

Para este ano a parceria com o clube foi mantida e tem data marcada: 10 de novembro. Animarão a noite: Blues Society, representante local, Storm Blues Band, de Porto Alegre, Blues Power Trio, Big Joe Manfra Blues Band & Jefferson Gonçalves, do Rio de Janeiro e de Chicago, aproveitando a turnê pelo Brasil, Peter MadCat.

Na primeira edição foi produzido um documentário musical, o pirmeiro da cidade de Santa Maria. De lá para cá esse registro sempre foi feito, entretanto, para esta edição teremos uma preocupação extra com captação das imangens e sons da noite. Por isso, não temos dúvida em afirmar que o Cesma in Blues é hoje um dos principais eventos Blues do Rio Grande do Sul.



6º CESMA IN BLUES

10 de novembro, a partir das 23h

Avenida Tênis Clube

Igressos à venda na CESMA e ATC:

R$ 7,00 antecipados e R$ 10,00 na hora


...bete balanço...


Cineclube Lanterninha Aurélio
Projeto Cultural CESMA -Santa Maria/RS - desde 1978
Filiado ao CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros


O Cineclube Lanterninha Aurélio neste mês de novembro começa a colocar em exibição filmes da * Programadora Brasil. E para dar início, nada melhor do que Bete Balanço, um clássico das produções cinematográficas brasileiras. No elenco nada mais, nada menos do que Débora Bloch, Diogo Vilela, Andréa Beltrão, Lobão, Celso Blues Boy entre outros, com participação especial de Maria Zilda, Cazuza e Barão Vermelho.


Bete Balanço - 07.11.2007

Direção de Lael Rodrigues e produção de Carlos Alberto Diniz. RJ, 1984, 72 min.


Sinopse: Bete é uma garota de Governador Valadares, recém aprovada no vestibular e cantora eventual do bar da cidade. Liberada na relação sexual com o namorado, curte teatro e sonha com espaço maior para o seu prazer, na batalha do teatro e da vida. A música atrai Bete para o Rio de Janeiro, pouco antes de completar 18 anos. Tudo o que experimenta, então, é uma inevitável sucessão de coisas boas e más.


* Programadora Brasil

A CESMA através do Cineclube Lanterninha Aurélio recebeu 126 filmes da Programadora Brasil com permissão para exibição durante dois anos. A Programadora é uma iniciativa do Ministério da Cultura que faz circular tanto filmes históricos com produções brasileiras recentes. Esse acervo é disponibilizado somente para sessões gratuitas em circuitos não-comerciais de exibição.
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Cineclubismo

Debates e sessões - quartas-feiras - 19 horas - entrada gratuita

Auditório João Miguel de Souza - Centro Cultural Cesma - 3º andar

Rua Professor Braga, 55 - Centro - Santa Maria / RS--
cineclubelanterninhaaurelio@gmail.com
orkut.. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=197704
Blog> www.cineclubelanterninhaurelio.blogspot.com

...encerrando o ciclo cara a cara com a infância...





Cineclube Lanterninha Aurélio
Projeto Cultural CESMA -Santa Maria/RS - desde 1978
Filiado ao CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros

Encerrando o Ciclo Cara a cara com a infância.

31/10 - A infância De Ivan
direção: Andrei Tarkovsky
1961, 90 min, URSS

Debate após a exibição com, Fabiano Fogiato Godinho: Presidente da Estação Cinema - Santa Maria - RS

Sinopse: Durante a segunda Grade Guerra, os russos tentavam combater a investida nazista em seu território. Nas frentes soviéticas, Ivan, um garoto órfão de 12 anos, trabalha como um espião, podendo atravessar as fronteiras alemãs para coletar informação sem ser visto, e vive sob os cuidados de três oficiais russos. Mas, após inumeras missões, e com um desgaste físico cada vez maior, os oficiais resolvem poupar Ivan, mandando-o para a escola militar.

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Cineclubismo

Debates e sessões - quartas-feiras - 19 horas - entrada gratuita

Auditório João Miguel de Souza - Centro Cultural Cesma - 3º andar

Rua Professor Braga, 55 - Centro - Santa Maria / RS--
cineclubelanterninhaaurelio@gmail.com
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...valentin...

Cineclube Lanterninha Aurélio
Projeto Cultural CESMA -Santa Maria/RS - desde 1978
Filiado ao CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros

Outubro 2007 - Ciclo Cara a cara com a infância...

10/10 - valentin
direção: Alejandro Agresti
2002 - 86 min - Argentina

1960, Buenos Aires. Valentin (Rodrigo Noya) é um menino de nove anos que vive com sua avó (Carmem Maura). Sua mãe desapareceu quando tinha apenas três anos de idade e seu pai é um homem distante, incapaz de assumir responsabilidades. Valentin é uma criança solitária, em uma busca constante por amor e afeto.

Ele tem duas obsessões: tornar-se astronauta e que o pai o leve ao encontro de sua mãe. Mas seu pai não quer remexer no passado e, além de tudo, está mais preocupado com seus relacionamentos passageiros. Até a chegada de Letícia (Lulieta Cardinali), a quem o menino se apega imediatamente. Valentin faz o papel de cupido, tentando juntá-los e assim ter uma mãe de verdade.

Ganhou o Prêmio Especial do Júri e a Menção Especial - Júri da ACCA, no Festival de Mar Del Plata.





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próximas exibições

17/10 - bando e a bola de ouro
direção: Cheik Doukoré
1993, 90 min, Nova Guiné

24/10 - Minha Vida De Cachorro
direção: Lasse Hallstrom
1985, 101 min, Sueco

31/10 - A infância De Ivan
direção: Andrei Tarkovsky
1961, 90 min, URSS

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Cineclubismo

Debates e sessões - quartas-feiras - 19 horas - entrada gratuita

Auditório João Miguel de Souza - Centro Cultural Cesma - 3º andar

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...semana farroupilha...

em tempos de gauchismos em evidência, indicamos um texto de 1993 do giba assis brasil "cenas do cinema gaúcho"


http://www.casacinepoa.com.br/port/conexoes/cenas-rs.htm

...tv ovo grava para canal futura...

Desde sexta-feira (07/09) a equipe da TV OVO e os seus alunos realizaram uma série de gravações com o CUÍCA - Cultura, Inclusão, cidadania e Artes - para o inter-programa, pertencente ao projeto Geração Beleza do Canal Futura
Marcos Borba, um dos coordenadores da TV, estará hoje na TV CAMPUS e na RÁDIO UNIVERSIDADE, explicando um pouco da parceria.

...colagem maldita...

...réquiem para um sonho...

Encaminhando o encerramento do ciclo A SOBRIEDADE É UM SACO, o Cineclube Lanterninha Aurélio exibe nesta quarta, véspera de feriado regional, RÉQUIEM PARA UM SONHO. Este é um desses filmes que de vez em quando aparecem por aí - feito com pequeno orçamento e com um elenco que não é recheado de estrelas, mas que consegue ganhar grande destaque, virando um cult. Réquiem... se destaca tanto na parte técnica como no enredo e no conteúdo. Lançado em 2000 nos EUA, é um dos bons filmes que retrata o mundo das drogas, com uma linguagem moderna, ousada e incrivelmente realista. Por isso integra a curadoria deste mês do cineclube.

...anúncio_overclock....

...despedida em las vegas...

Cineclube Lanterninha Aurélio

Projeto Cultural CESMA -Santa Maria/RS - desde 1978
Filiado ao CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros

Ciclo: A sobriedade é um saco

12/09/2007 - Despedida em Las Vegas


O Lanterninha Aurélio exibe nessa quarta, 12 de setembro, o filme "Despedida em Las Vegas" que traz Nicolas Cage em ótima forma, numa atuação que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator em 1996. Ele interpreta um alcoólatra que viaja até Las Vegas para se matar bebendo. Elizabeth Shue também está excepcional no papel da prostituta pela qual Cage se apaixona. A trilha sonora é ótima, músicas do Sting, uma do Michael McDonald e o resto é instrumental, composta pelo próprio diretor, Mike Figgis. A direção de Figgis é muito boa, assim como seu roteiro (ambos indicados ao Oscar). Um filme que impressiona e que merece ser visto por retratar muito bem alguns dos efeitos colaterais do álcool, por isso integra o ciclo "a sobriedade é um saco". O psicólogo Volnei Dassoler do CAPS - Centro de Apoio Psicossocial, irá debater com o público.
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Cineclubismo

Debates e sessões - quartas-feiras - 19 horas - entrada gratuita

Auditório João Miguel de Souza - Centro Cultural Cesma - 3º andar

Rua Professor Braga, 55 - Centro - Santa Maria / RS
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Próximas Exibições

19/09 - Réquiem Para Um Sonho , 2000
Direção: Darren Aronofsky , 102 min , eua


26/09 - Medo e Delírio , 1998
118 min , eua

...3° encuentro ibero-americano de cine clubes...

Camaradas y colegas, les hago llegar los puntos y consideraciones desprendidas del pasado encuentro iberoamericano de cine clubes que sostuvimos en Brasil. En esta agenda están reflejadas las estrategias de comunicación y organización que acordamos implementar.

Sintéticamente aquí expuesto, el temario tocó aspectos diversos que necesitan desarrollarse. Todos los comentarios servirán para enriquecer el plan de acción trazado. Les dejo un abrazo fuerte desde México.

Agenda Iberoamericana de Cine Clubes 2007- 2008
Resolutivos del 3 Encuentro Iberoamericano de Cine Clubes, Santa Maria - RS / 2007

Julio 2007

11 -14 de julio, Santa Maria - RS
3 Encuentro Iberoamericano de Cine Clubes

Presentes: Argentina, Brasil, Italia, México y Uruguay

Ya entablamos comunicación con entidades en Guatemala, Bolivia, Chile, Paraguay y Perú.

Falta Canadá, Costa Rica, El Salvador, Estados Unidos, Haíti, Honduras, Jamaica, Nicaragua, Panamá y Venezuela.

La representación argentina estuvo compuesta por el Cine Club Rosario, Cine Club Santa Fe y Cine Club Núcleo, de Buenos Aires, quienes en abril 2007 celebraron una importante reunión junto a otros grupos en Buenos Aires que revitalizó el movimiento argentino.

Se estudia la forma de llevar el Premio Don Quijote al festival de Mar de Plata.

Comenzamos en la documentación para realizar el documental sobre el cineclubismo argentino y Juan Carlos Arch.

De Brasil participaron Felipe Macedo, Antonio Claudino de Jesus, Luiz Alberto Cassol y Adriano De Angelis.

Se presentaron los resultados del proyecto "Cine Club en la Escuela" en Vitoria Espíritu Santo, con la producción de un DVD con los trabajos realizados en el taller.

El Conselho Nacional do Cineclubes Brasileiros estudia la forma de llevar el Premio Don Quijote a los festivales de Pernambuco, Brasilia y el Festival de Cine Latinoamericano de São Paulo, así como instituirlo en Atibaia Internacional do Audiovisual y Santa Maria Video e Cinema.

Asimismo, el CESMA de Santa Maria describió sus actividades en el ámbito de la promoción de la lectura y la formación de audiencias.

La caracterización de Popcine se basó en la argumentación para la creación de un circuito popular de cine en São Paulo, destacando las prestaciones de la proyección digital.

Con sede en Brasilia, conocimos el proyecto Tele Brasil y su línea de difusión interesado en documentación de las actividades y perfiles del cineclubismo. La idea del intercambio con CineSud va hacia la difusión de los materiales que tiene el catálogo sobre cine clubes.

Paolo Minuto dio panoramas sobre la situación en Asia con respecto a la celebración de los 60 años de la FICC y entregó el libro I Circoli del Cinema, una rete per la cultura 2007, A.I.C.A, Italia, 2007.

México presentó a través de Gabriel Rodríguez el proyecto Cine Clubes Trabajando implementado por asociaciones civiles en coordinación con la Secretaría de Educación Pública en escuelas secundarias de 4 estados del país. También profundizó en el proyecto CineSud que llevó copias del DVD conmemorativo que se estrenó en Matera en junio pasado, así como en Mundokino, el observatorio del cineclubismo global.

En esta ocasión la FICCU de Uruguay se sumó a las entidades del cono sur que le imprimen una nueva dinámica cineclubista a la región, ya que entre otras propuestas, en Matera se sugirió una línea de trabajo con la Cinemateca del Uruguay para colaborar en la distribución de algunos títulos clásicos.

En el Taller de capacitación de Mundokino se crearon nuevas cuentas para que colaboren: Cristina, Alejandro, Alfredo, Pimentel y Marcelo.

El Jurado de la FICC otorgó premio para Comprometendo a atuação y O jumento santo e a cidade que se acabou antes de começar

Fotografías en: http://mundokino.net/flickr/setimages/72157600780779048

Resolutivos:

Creación de una Comisión Pro Confederación Latinoamericana de Cine Clubes

Coordinación General: Cristina Marchese, una Comisión de Relaciones Institucionales coordinada por Fernando Henríquez y una Comisión de Intercambio coordinada por Gabriel Rodríguez.

Temas para la fundamentación de la Confederación: Criterios de representatividad, Oficialidad, Identidad y Diversidad

Propuestas de Estatutos, Sede y registro

Entre los proyectos de intercambio se propuso estudiar el marco de apoyo de Ibermedia.

Entre los materiales de comunicación se aprobó editar una propuesta de Flyer para la FICC que conteste a las preguntas:

1. Quiénes somos

2. Qué hacemos

3. Dónde está presente la federación

4. Por qué ser miembro

5. Cómo integrarse

6. A dónde vamos


Carta de Rio Grande do Sul

Reconociendo la evolución, la pertinencia y el sentido de nuestros proyectos, integrantes de la comunidad latinoamericana de cine clubes emitimos esta carta con el fin de difundir las conclusiones de nuestro 3 Encuentro Iberoamericano de Cine Clubes, a través de las cuales sintetizamos las discusiones celebradas en el marco del 6 Santa Maria Vídeo e Cinema del 12 al 14 de julio de 2007, en donde nos proponemos:

1. La creación de una comisión Pro Confederación Latinoamericana de Cine Clubes para encaminar la organización de una nueva entidad que coordine y enriquezca nuestras actividades regionales.
2. La conformación de una coordinación de Intercambio y otra de Relaciones Institucionales para gestionar apoyos, convenios e intercambios ante instituciones, organismo y entidades en nuestros países.
3. El apoyo a las iniciativas de Popcine (Circuito Popular de Cinema) para la creación de una red de salas populares en Brasil con la posibilidad de extenderlo en América Latina.
4. La institucionalización de CineSud, Cines del Sur como proyecto de distribución para cine clubes y cines no lucrativos.
5. La organización de una Conferencia Mundial del Cineclubismo con el fin de divulgar y popularizar los perfiles y horizontes de los cine clubes en diversas partes del mundo.

Asimismo, convocamos a la realización de nuestro próximo encuentro latinoamericano en agosto de 2008 en Río de Janeiro, RJ, Brasil, en el marco de la 27 Jornada Nacional de Cine Clubes brasileños.

Santa Maria, 14 de julio de 2007.

Agosto 2007

Inicio de Catalogación CineSud 2007
Consulta de Temario para Conferencia Mundial:

-Piratería y derechos de autor
- Nuevas tecnologías (realización y exhibición) y algunos derechos reservados
- Proyectos institucionales de difusión audiovisual


Septiembre 2007
Publicación de resultados
Convocatoria a la Conferencia Mundial del Cineclubismo
Redacción de Constitución CineSud
Considerando a las personas jurídicas y las personas físicas que lo integran
Plan de trabajo 2007-2008 considerando:

Objetivos/Organigrama
Estatutos/Reglamento
Presupuesto
Sustentabilidad/Inversión/Autosustentabilidad


Octubre 2007
Elaboración de Contenidos y temario para la Conferencia Mundial
Definciones finales de estatutos y organigrama CineSud

Noviembre 2007
Entrega resultados parciales Censo mundial/ América Latina
Registro oficial CineSud
2 personas con residencia italiana, sede legal y/o en Europa con sedes operativas en Barcelona y Ciudad de México. Presentar Constitución y Organigrama
Reunión Comité Ejecutivo FICC
Avances en el temario para la fundamentación de la Confederación Latinoamericana

Enero 2008
Organización de la Conferencia mundial del Cineclubismo
Confirmaciones

Febrero 2008
Conferencia mundial del Cineclubismo
Ciudad de México, México
Convocatoria al Encuentro Latinoamericano de Cine Clubes 2008

Junio 2008

10-14 junio
10 Festival Internacional de Cine Clubes
4° Encuentro Iberoamericano
Feria de Catálogos de Distribución
Matera, Italia

Agosto 2008
3-6 agosto 2008
Encuentro Latinoamericano
Río de Janeiro, Brasil

Elaboró: Gabriel Rodríguez, 03 septiembre 2007

...morte em veneza...

por Francele Cocco

Dirigido por Luchino Visconti e lançado em 1971, o filme Morte em Veneza, livre adaptação do romance homônimo de Thomas Mann, pode ser considerado um de seus filmes mais difíceis, nas palavras de Túlio Becker(1) inclusive alcançou sucesso mundial devido a seu tema central, a paixão de Gustav Van Aschembach pelo jovem polonês, de 13 anos, Tadzio.

Tanto no livro como no filme, o tema principal é o conflito do personagem principal com seus valores tradicionais burgueses, que é narrado de forma gradual, possibilitando ao espectador acompanhar as mudanças físicas e psicológicas ao longo da narrativa. A degradação moral do personagem, que se constitui em uma visão pessimista do próprio autor sobre seus contemporâneos, é reflexo da convulsão social do período.

A chegada de Morte em Veneza as salas de cinema gerou um grande debate com relação ao homossexualismo, inclusive afirmou-se na época que Visconti optou por transformar em roteiro, o clássico literário, por ser o homossexualismo um elemento de união entre ele e Thomas Mann, ao mesmo tempo em que trazia a polemica do homossexualismo á cena. Essa questão permanece sem resposta, se é que há uma, o interessante é que as relações entre literatura e cinema são usuais, pois o cinema é verdadeiramente uma arte impura, apreende e conjuga elementos de distintas formas de arte (2) nada mais comum que a adaptação de romances para o telão. Para melhor compreender essa ligação, seguiremos o conselho de Peter Burke (3), que afirma que “para melhor estudar o filme é necessário estudar o diretor”, nesse caso buscaremos entender também o autor, pois só a diferença de tempo histórico em que cada obra está inserida, já amplia essa discussão, a saber, Mann aborda o homossexualismo na década de 10, enquanto Visconti o faz na década de 70.


REFERÊNCIAS BIOGRÁFICAS:

Thomas Mann ganhador de um Prêmio Nobel (4) de literatura em 1929 escreveu, entre outras obras, Os Buddenbroks (1901), Morte em Veneza (1912), A Montanha Mágica (1924), O Doutor Fausto (1947). Nasceu em 1875 em Lübeck, Alemanha , filho de Johann Heinrich Mann, comerciante, e da brasileira Júlia da Silva Bruhns (5). Muda-se para Munique, em 1891 e passa a dedicar-se exclusivamente a Literatura. Seu primeiro livro, Os bruddenbroks, narra a história de uma família e sua degeneração ao longo de 4 gerações.

Apesar de rumores acerca de sua homossexualidade, casa-se em 1905 com Katia Pringsheim, com quem teve 6 filhos. Sua ação política, num primeiro momento, se relacionava aos conservadores, defendendo a entrada da Alemanha na 1° Guerra Mundial, no entanto a partir da década de 20, passa a defender a Republica de Weimar, tornando-se inimigo potencial do futuro regime totalitário.

Assim, com a ascensão do nazismo, Mann viu-se obrigado a exilar-se na Suíça (1933), seus livros foram proibidos na Alemanha, seu título Honoris Causa da Universidade de Bohn foi retirado e no dia 2 de dezembro de 1936, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicou seu nome e dos membros de sua familia na lista de expatriados.

Um escritor alemão, acostumado à responsabilidade através da língua, deve agora silenciar? Silenciar absolutamente perante o mal irreparável, que no meu país foi e é praticado em corpos, almas e espíritos, no direito e na verdade, na humanidade e na pessoa? Não foi possível. E assim vieram as manifestações de minha parte contra o programa nazista. Minhas posições contrárias a ele ficaram inevitavelmente claras, tendo levado ao absurdo e ridículo ato de meu expatriamento.(6)

Reside na Suiça até 1938, quando a convite da Universidade de Princeton resolve se se mudar com a familia para New Jersey, EUA.

Sua permanência nos EUA assegurou-lhe a conquista da cidadania americana em 1944. Porém, na década de 50, a maçica perseguição a intelectuais e artistas promovida pelo Macarthismo, obrigou Thomas Mann a retornar para a Europa. Decidiu-se por não voltar à Alemanha, retorna então para a Suíca, onde faleceu em 1955.

Luchino Visconti nasceu em Milão, Itália, filho de uma família aristocrática, seu pai Giuseppe Visconti, conde de Modrome, e sua mãe, Carla Erba, herdeira de uma das maiores industrias farmacêuticas da Itália.

Permaneceu na Itália até meados da década de 30, quando se muda para Paris, França. Freqüentador assíduo de Óperas, torna-se grande amigo de Coco Chanel (7), que anos mais tarde (1936) lhe apresentaria ao cineasta, integrante da tendência cinematográfica Realismo Poético, Jean Renoir, que trabalharam juntos nos fimes Passeio no Campo (Une partie de campagne) e La Tosca.

Seu retorno à Itália, ainda durante a 2ª Guerra Mundial, resultou numa aproximação com o Partido Comunista Italiano, onde ficou conhecido como Conde Vermelho. Sua inclinação marxista sempre foi alvo de críticas, entre os conservadores italianos e também entre os membros do partido. Homossexual assumido – “dado aos luxos da vida parisiense”, descendente direto de linhagem nobre, e com enorme fortuna, era tido com desconfiança por colegas de Partido. Salvador Dali chamava-lhe de “um comunista que só gostava de luxo”.

Outra postura de Visconti assumida em seu retorno para a Italia nos anos 40 é a paixão pelo cinema. Vende jóias da família para produzir seu primeiro longa-metragem, Obsessão (Ossessione), lançado em 1943, precursor do movimento neo-realista. Sua primeira obra, adaptação não autorizada de “O Destino Bate à sua Porta” - romance noir de James M. Cain, já encontra resistencia por parte dos fascistas, sendo censurado por abordar o drama de uma mulher que arquiteta, junto a seu amante, um plano para assassinar o marido.

No fim da Segunda Guerra, Visconti permite que seu palácio fosse utilizado por membros da resistência comunista, e ainda participa de ações armadas contra os ocupantes alemães. Como resultado foi preso, brevemente, pela Gestapo em 1944, o que resultou na realização do documentário Dias de Glória (Giorni di gloria), no qual aparece a execução de um comandante fascista.

Ainda dentro de suas obras de caráter político, A Terra Treme foi produzido em 1948, a pedido do Partido Comunista, Belíssima (1951) e Rocco e seus Irmãos (1960) todos em convergência com o Neo-realismo Italiano, que “além de uma nova estética, o neo-realismo conformou-se com uma nova ética: a social”(8)

A partir de então, Visconti entra para uma nova fase em sua filmografia, uma fase mais pessoal, dentro do seu universo – nobreza e degeneração - desse período destaca-se O Leopardo (1963), seu maior sucesso de bilheteria, e a trilogia sobre a decadência alemã, Os Deuses Malditos (1969), Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1972).

Sua fama foi além do cinema, ganhou reconhecimento por seus trabalhos no teatro e como diretor de óperas. Faleceu na cidade de Roma, em 1976, vítima de um ataque cardíaco.

COMPARAÇÕES ENTRE A NOVELA E A OBRA FILMICA:

As diferenças entre a novela e o filme encontram-se desde o inicio, porem neste momento podem ser ainda reconhecidas como um processo necessário para a adaptação de linguagem, dessa forma, Visconti oculta do espectador a saída de Gustav Von Aschenbach de Munique para uma ilha do Adriático, onde repousara por 1/2 semana antes da decisão de partir para Veneza. Este detalhe parece de pouca relevância na história, porém no decorrer desse de tempo, inúmeros presságios com relação ao futuro próximo são trazidos ao leitor, assim como uma contextualização acerca da “busca” do personagem. Outra alteração percebida, a priori, é com relação à atividade profissional de Gustav. No romance, o mesmo aparece como escritor, enquanto no filme o personagem dedica-se a música.

Uma das passagens aproxima-se muito em ambas narrativas, a visualização de um grupo de amigos no barco com destino a Veneza, no qual um homem já idoso deixa-se levar pela embriaguez da bebida e da paixão. Visconti apresenta tal cena como momento chave em sua história, visto que o “espetáculo” aos olhos do personagem suscita-lhe grande desprezo, sem imaginar que similar comportamento está fadado ao seu destino.

Um dos viajantes, num terno de verão amarelo-claro, de corte ultra-moderno, gravata vermelha e um panamá de abas audaciosamente viradas para cima, sobrepujava a todos em alacridade com sua voz esganiçada....

...Era um velho, não havia dúvidas. Rugas rodeavam-lhe os olhos e a boca, o carmesim baço das faces era ruge, o cabelo castanho sob o panamá de fita colorida, uma peruca, o pescoço, flácido, com os tendões à mostra, o bigodinho revirado e a mosca no queixo, tingidos, a dentadura completa e amarela, que exibia rindo, não passava de uma prótese barata. E suas mãos, com anel de sinete em cada indicador, eram as de um ancião. Aschenbach observava enojado aquele personagem e suas relações com os amigos. Será que não sabiam, não viam que era um velho, que não tinha o direito a usar roupas como as deles, janotas e coloridas, que não tinha o direito a se fazer passar por um deles? (págs. 19 e 20)

Antes ainda da chegada ao Hotel Excelsior, a figura do gondoleiro, mais uma vez representa o mau agouro do seu destino de viagem, esta passagem também mantida na versão cinematográfica. Um gondoleiro insolente, feio e degenerado lhe conduz a sua sina.

Sua instalação no hotel tem, a principio, o objetivo de preencher duas lacunas, a falta de inspiração pro trabalho e a recente perda da esposa, ao mesmo tempo em que ratifica sua posição de burguês típico, seguidor de severos padrões morais.

Desde seu primeiro contato com o Tadzio (interpretado pelo ator e modelo, de 13 anos, Björn Andressen) um novo universo surge. Em um primeiro momento, o menino simboliza a fusão perfeita de beleza e juventude, porém, assim como o cólera sorrateiramente invade Veneza, a revelia de seus “donos”, a admiração bucólica também transfigura-se em arrebatamento.

Essa transformação do personagem não se dá de forma tranqüila, Gustav busca uma fuga, mas o malogro da investida, um simples problema com a bagagem, acaba por vez, a revelar o motivo de sua aflição. Encontra-se em total estado de paixão, não mais tenta negá-lo, e entrega-se ao prazer de admirar todas as ações do garoto, no café da manhã com a família, na brincadeira com outros amigos na praia, na ida a igreja...

Em breve o observador conhecia cada linha e pose desse corpo tão soberbo, apresentando-se tão livremente; saudava-o de novo toda a beleza, já familiar e não encontrava fim para sua admiração e delicada alegria espiritual [...] seu cabelo cor de mel aninhava-se em cachos nas têmporas e na nuca, o sol iluminava a penugem do dorso superior; o delicado desenho das costelas, a simetria do peito aparecia pela cobertura justa do tronco; suas axilas ainda eram lisas como nas estátuas; os jarretes luziam e as veias azuladas faziam seu corpo parecer feito de uma matéria transparente. (pág. 50)

Toda essa nova rotina nos é apresentada por Visconti através de uma série de consecutivas panorâmicas(9). Aschembach percorre a cidade sem dar-se por conta da chegada do cólera, com o silêncio de moradores, empregados do hotel e da mídia veneziana, que teme, por conseqüência, o abandono dos visitantes. Assim, pouco a pouco, o sisudo senhor de meia idade transforma-se numa caricatura, num novo ser – sonhador, despreocupado com modelos morais e, por fim, decadente.

O filme preserva a inexistência de diálogos entre os dois personagens, no entanto, na concepção de Visconti, Tadzio aparece de forma ambígua, por vezes, receptivo aos olhares de Gustav, por vezes, até mesmo provocativo, criando uma tensão sexual entre os personagens. Compreende-se que a livre adaptação para o cinema, não buscou reproduzir a história contada no romance, deve-se compreender a alteração, pois se trata de diferentes linguagens e visões, além do que o cinema autoral é tão imaginativo e livre quanto qualquer outra manifestação intelectual.

A partir do capítulo 4, há inúmeras indagações de Aschembach quanto à percepção de Tadzio a respeito do seu já explicito sentimento, e a passagem a seguir, demonstra uma das únicas interações entre os personagens, numa noite em que a família polonesa não comparece ao jantar no hotel. O medo provocado pela possibilidade de não mais ver Tadzio fora enorme, assim quando percebeu a entrada da família sua alegria ficou “estampada na cara” o que chama a atenção do garoto.

Não deves sorrir assim! Estás ouvindo? Não se
deve sorrir assim pra ninguém!”
Atirou-se num banco, fora de si, inalando o perfume noturno das plantas. E
reclinado, os braços pendentes, subjugado e sacudido por sucessivos
calafrios,
sussurrou a eterna fórmula do desejo – impossível, nesse caso
absurda, abjeta,
ridícula, mas ainda assim sagrada, mesmo neste caso, digna
“eu te amo”. (PAG. 59)

A narrativa entra em sua parte final, quando Aschembach renega sua identidade e seus padrões morais, entregando-se na busca irracional do seu objeto de desejo.

Acrescentou a seu traje detalhe de efeito jovial, começou a usar pedras preciosas e perfumes, perdia várias horas por dia com sua toalete e vinha para a mesa, enfeitado, excitado e tenso.... Usava gravata vermelha e chapéu de palha de abas largas era rodeado por fitas multicoloridas. (pág. 79)

As cenas finais do filme são retratadas com enorme sensibilidade, um Gustav von Aschembach transfigurado por maquiagem, enfeites e extremamente cansado, uma Veneza vazia e melancólica e uma trilha sonora transcendente, um extrato de Adagieto - Symphony No.5 de Gustav Mahler (10) tudo isso para o belo e trágico, desfecho conhecido desde o título.

BIBLIOGRAFIA:

-MANN, Thomas. Morte em Veneza. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

- COUTINHO E CASTRO, José. Thomas Mann; Ensaios. Lisboa: Livros Horizonte, 1982.

- BAZIN. André. O que é o Cinema – Tradução: Ana Moura Livros. São Paulo: Horizonte, 1992.

- BURKE. Peter. Testemunha Ocular. Bauru, SP: EDUSC, 2004.

- LEÃO. Beto. Cinema de A a Z – Dicionário do Audiovisual em Goiás. Goiânia, GO: Agencia Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, 2003.

- MERTEN, Luiz Carlos. Cinema: entre realidade e o artifício. Porto Alegre: Artes e Ofício, 2005.

- BECKER, Túio. A Sublime Obsessão. Porto alegre, RS: EDUNISC, 2003.

- EWALD FILHO, Rubens. Dicionário de cineastas. São Paulo: L&PM, 1988.

- FERREIRA, Alexandre Maccari, KONRAD, Diorge Alceno. KOFF. Rogério Ferrer. (orgs). Uma História a Cada Filme – ciclo de cinema histórico- vol. 1. Santa Maria, RS: FACOS/UFSM, 2006.

NOTAS:

(1) - Tuio Becker - Critico de cinema, trabalhou em jornais como Correio do Povo, Folha da Manhã e Zero Hora, primeiros textos publicados em 1961. Aposentou-se em 2001.

(2) - BAZIN. André. O que é o Cinema (Qu´est ce que le Cinema). São Paulo: Horizontes, 1992.

(3) - BURKE, Peter. Testemunha Ocular. Bauru, SP: EDUSC, 2004.

(4) - Prêmio Nobel, instituído por Albert Nobel (1833 – 1896), milionário sueco, inventor da dinamite. Deixou em testamento a criação de um fundo que premiasse anualmente as pessoas que mais tivessem contribuído para o desenvolvimento da Humanidade em 5 áreas distintas (física/ química/ medicina/ literatura/ paz), vide testamento em http://www.nobelpreis.org/portugues/index.htm#will.

(5) - Júlia da Siva Bruhns era filha de Johann Ludwig Herrman Bruhns, alemão, residente no Brasil proprietário de fazendas entre Santos e Rio de Janeiro, e de Maria da Silva, brasileira, falecida em 1856. Nasceu em Parati em 1851, mudou-se para a Alemanha, após morte do pai, com apenas 6 anos de idade. Inúmeras referências à mãe podem ser encontardas ao longo da trajetória literária de Thomas Mann, no livro “Morte em Veneza” podemos visualizar tais referências na personagem mãe de Tadzio, interpretada por Silvana Mangano. Faleceu em Webling, Alemanha em 1923.

(6)-Declaração de Mann (1936) – disponível em http:// www.dw-world.de/dw/article/0,2144,34094,00.html

(7) Coco Chanel, uma das figurinistas mais importantes do século XX, nasceu em paris em 1883começou sua vida profissional na confecção de chapéus. Tornou-se reconhecida internacional pela criação de taillers (imortalizados pos Jacqueline Kennedy Onassis) e pelo perfume Chanel n° 5. Faleceu em Paris no ano 1971, sem filhos e casamento, sendo-lhe atribuída a frase, quando pedida em casamento pelo Duque de Windsor, “duques existem muitos na Inglaterra, porém Coco Chanel só há uma”, colocação verdadeira ou não, representa um pouco de sua personalidade ainda viva no imaginário coletivo.

(8) KONRAD, Gláucia Vieira Ramos. O Neo-realismo italiano e Roberto Rosselini: nos 60 anos de Roma, Cidade Aberta. In: Uma História a cada filme: ciclos de cinema histórico.

(9) Panorâmica é a ação de girar a câmera num plano horizontal ou vertical durante a filmagem. É um movimento de câmera que permite explorar certo espaço. Deve ser executado lentamente após filmar por alguns segundos um ponto fixo, seja para a esquerda ou para a direita, e termina igualmente num ponto fixo. In: Cinema de A a Z – dicionário do audiovisual em Goiás.

(10) Gustav Mahler (1860 – 1911) foi um dos mais conhecidos músicos austríacos. Compositor e regente misturava o romântico com o moderno.

...Instrução Normativa...

Amigas e amigos,

Está em fase de consulta popular uma Instrução Normativa da Ancine, a agência Nacional reguladora do cinema, reconhecendo e regulamentando a existência de cineclubes no País.
Por incrível que pareça, desde a Constituição de 1988 e a abolição da Censura, a legislação que reconhecia a existência de cineclubes ficou perdida e na prática inexistente. Os cineclubes brasileiros têm vivido uma situação muito próxima da clandestinidade, o que debilita muito um tipo de atividade já bastante precária e, por outro lado, base fundamental da formação de talentos e instituições do cinema.

A regulamentação, bastante simples, será uma ajuda institucional fundamental para fomentar políticas públicas de formação de público, estimular os cineclubes, permitir sua participação em editais e programas de apoio e até seu maior reconhecimento por outros parceiros e patrocinadores.

Peço, então, que manifestem seu apoio à dita Instrução Normativa. Não é difícil e não demora muito. Basta ir ao site da Ancine: www.ancine.gov.br e clicar em Espaço do Usuário, escolhendo Consulta Pública. Aí você segue os passos para se cadastrar e, depois, pode entrar no espaço da consulta e mandar seu comentário. Quem já é cadastrado conhece o caminho.

Leva um tempinho, mas você já fica habilitado a participar outras vezes de um importante instrumento de consulta pública e de democracia. E, de quebra, dá a sua contribuição - pode ter certeza que ela conta - para a aprovação desse regulamento que vai estimular os cineclubes. Cineclube é tão importante, né?

É só colocar no espaço para sugestões que sugere que a IN seja aprovada na íntegra. Na justificativa pode colocar que ela atende a uma antiga reivindicação do movimento cineclubista brasileiro e vem dar institucionalidade aos cineclubes. Quem quiser pode escrever mais.
O prazo para a Consulta termina dia 12 de setembro.
Consulte agora!


Um forte abraço,

Antônio Claudino de Jesus
Presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
Vice-Presidente da Federação Internacional de Cineclubes

...tradição cineclubista....

Santa Maria tem uma antiga tradição ligada ao cineclubismo. Já na longínqua década de 50, Edmundo Cardoso montou e coordenou o Clube do Cinema de Santa Maria que funcionou de 1951 até 1961 no antigo Centro Cultural, hoje Theatro Treze de Maio. As sessões aconteciam todas às segundas-feiras, sendo que todos os sócios recebiam em suas casas a programação do mês. Esta programação era constituída por filmes de 35mm e 16mm escolhidos dentro de critérios artísticos estabelecidos por Edmundo e demais participantes. Os filmes vinham de Porto Alegre, do centro do país e também de Montevidéo e de Buenos Aires, de outra forma dificilmente seriam exibidos em Santa Maria. Esta prática provocou uma reação dos proprietários dos cinemas existentes em Santa Maria na época que começaram a exercer certa pressão junto aos distribuidores de filmes, exigiam exclusividade ao acesso dos filmes alegando prejuízos, ou seja, diminuição de público nas salas. O Clube do Cinema não só continuou funcionando como também fez com que as salas de cinema passassem a inserir, dentro de sua programação, filmes diferentes daqueles que vinham sendo projetados até então. Os cinemas adotaram a estratégia de fazer ciclos de determinados diretores porque perceberam que havia um público interessado devido ao trabalho de formação do cineclube.

Outra pessoa muito importante neste processo foi o Irmão Ademar que desenvolveu um trabalho de exibição de filmes em toda a 4ª região colonizada pelos imigrantes italianos, isto ainda na década de 40. Irmão Ademar percorria todos os povoados fazendo projeções que despertavam, principalmente para os jovens, um respeito e uma admiração pelo sacerdócio, já que ele apontava para uma possibilidade de conhecimento, de acesso ao novo. Dessa forma, a Igreja Católica conseguia manter um contato mais próximo com as comunidades ao mesmo tempo em que arrebanhava novos alunos para os seminários que começavam a ser criados.

Contribuição também importante para a formação de novos públicos em Santa Maria se deu nos anos 50 junto da Ação Católica, no prédio onde hoje funciona a Livraria Medianeira, coordenada por Dom Walmor Battu Wicrowisky que projetava desenhos animados para a gurizada, em sessões matinés, e outros filmes "não muitos pesados" para um público adulto aos finais de semana. Os guris, que assistiam os desenhos do "Pica-Pau" na Ação Católica, levaram para o Colégio Santa Maria a idéia e criaram o Cineclube Colégio Santa Maria, isto já em 1961. Este grupo era formado basicamente por José Luiz Duarte, James Giacomoni, Paulo Sotto, Ronái Pires da Rocha, Paulo Buss, Teófilo Torrentegui, e Marcos Farret. Desenvolveram atividades cineclubistas por mais de 5 anos dentro do Colégio, muito mais pelo empenho do grupo que por apoio da instituição. Preparavam materiais que eram produzidos a partir de uma biblioteca de livros sobre cinema que eles conseguiram montar para depois serem distribuídos para os freqüentadores. Simultaneamente, alunos do Seminário São José, também começaram a desenvolver um trabalho inspirados em Padre Atílio Rosa que também marcou presença na região de Santa Maria como um incentivador do cinema. Um dos integrantes deste grupo do Seminário São José, também vindo das sessões da Ação Cultural, é Humberto Gabbi Zanatta, atual Secretário de Cultura de Santa Maria. Promoviam conjuntamente cursos de cinema com convidados vindos de Porto Alegre.

A semente já havia sido lançada e no começo dos anos 70 o Centro Cultural passou a abrigar cineclubistas, que criaram um Departamento de Cinema do Centro Cultural, que começaram exibir e discutir cinema. Integravam este grupo Pedro Freire Junior, que era Diretor do Centro na época, Luiz Carlos Grassi, Nicola Chiarelli, Roberto Bisogno, Humberto Ferreira, José Feijó Caneda e outros tantos. Tinham interesse em começar a produzir e deixar um pouco de lado as discussões estéticas. Como o super 8 era uma bitola mais acessível, fizeram alguns filmes, dos quais a maior parte foi perdida com o tempo. Essa experiência resultou numa única edição do primeiro festival gaúcho de super 8 em 1975. Conseguiram juntar neste festival, filmes vindos do Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Segundo Grassi, um dos idealizadores do festival, isto se deu devido à falta de festivais como este na época. Também neste festival foi lançado o melhor filme feito em super 8 na cidade: "O Velório de Vicente Silveira", idealizado e realizado, mesmo que com o apoio de todos, por Modesto Wenevicker. Outro santa-mariense que participou do festival como realizador foi Sérgio Assis Brasil.

Outra experiência citada tanto por Grassi como por Freire Jr., era o Cineminha do Itararé, assim chamado porque se tratava de uma sala pequena (para a época), com cadeiras simples, que comportava 120 lugares com projeção em 16mm. Este "cineminha" era de um espanhol chamado Angel Alcântara, que tendo vindo da Europa trouxe com ele a cultura do cinema e da projeção, contribuindo também para a formação cinematográfica desta geração santa-mariense do início dos anos 70.

Em meados de 1977 estudantes da Universidade Federal de Santa Maria, com o apoio de outras pessoas que continuavam freqüentando o Centro Cultural conceberam a criação do Cineclube Lanterninha Aurélio. Um deles, Paulo dos Santos Pires, com grande experiência na atuação em cine­clubes operários de São Paulo e com trânsito entre as distribuidoras de filmes alternativos, facilitou a implementação do projeto. O equipamento necessário (projetor na bitola 16mm), foi conseguido sob empréstimo, junto à Pró-Reitoria de Extensão da UFSM.

A relação da CESMA com o movimento cineclubista nasceu dessa forma, já que ambos foram criados na mesma época, impelidos pelas mesmas condições políticas e basicamente pelos mesmos estudantes que desejavam mudar a realidade em que viviam, fazendo uso de um para divulgar o trabalho do outro. Em seguida o cine­clube foi incorporado à estrutura da CESMA e o nome escolhido – LANTER­NI­NHA AURÉLIO – foi uma homenagem ao lanterni­nha que trabalhava no Cinema Imperial da rua Dr. Bozano. Escolha que se deu justamente no Centro Cultural, após muita discussão, onde estavam presentes, além do já citado Paulo Pires dos Santos, Gilberto Muniz Simon (associado nº 01 da CESMA), Paulo Pires, Valério Patta Pillar, Humberto Gabbi Zanatta (Diretor do Centro na época), Orlando Fonseca, que iniciava sua jornada cultural, Jair Alan e outros agora anônimos, mas não menos importantes.

O Cineclube Lanterninha Aurélio foi criado durante o período do regime militar, com o objetivo específico de promover o debate político da realidade brasileira, tanto na Universidade como nos bairros e vilas de Santa Maria. Todos os filmes – mais de 200, que o Cineclube trouxe para a cidade, antes do advento do vídeo, foram apresentados nos anfiteatros do Campus Universitário, DCE e vilas, em promoção conjunta com associações de bairros e sindicatos, possibilitando que pessoas de diferentes classes sociais compartilhassem informações transmitidas pelos filmes ou ainda através das conversas desenvolvidas com os participantes. Filmes de conteúdo político, que retratavam a situação do trabalhador rural, das fábricas e da população em geral eram a introdução para o debate que se desenrolava após as projeções. Mas não só de filmes políticos viveu o Lanterninha Aurélio, em sua primeira fase foram presenciadas mostras de filmes alemães, russos, franceses permea­dos com outros tantos latino-americanos.

A abertura política, a dificuldade das distribuidoras em conseguir filmes novos, o árduo trabalho de cada projeção (o deslocamento de um projetor muito pesado, entre uma exibição e outra, era feito através do transporte coletivo), o fim do ciclo universitário de muitos dos aficionados e de outros que estavam diretamente ligados à execução, apontaram para outro período de inatividade. Já estávamos em 1984.

Em 1987 quando a CESMA abriu sua locadora, propiciou o ingresso numa nova fase de exibição de filmes agora em VHS. Vários ciclos foram desenvolvidos, naquele momento em parceria com o Laboratório de Informática do CCSH que emprestava a "Sala 07", bem como uma televisão de 54 polegadas, para estas exibições que aconteciam às quartas-feiras sempre às 19h. As sessões estavam sempre lotadas, chegando a comportar algumas vezes mais de 80 pessoas. Durante esta fase, que perdurou até meados de 1995, foram exibidos mais de 300 filmes, todos do acervo da locadora da cooperativa.

Dificuldades de renovação do acordo que permitia o uso da Sala 07, a própria popularização do vídeo cassete e o desmantelamento do grupo de trabalho suspenderam mais uma vez as atividades do Lanterninha Aurélio, abrindo uma lacuna na cena cultural da cidade, que viria a ser preenchida em seguida pelo Cine­clube Otelo, mantido pelo Sindicato dos Bancários de Santa que desenvolveu suas atividades de 1995 até 1999. Pessoas que haviam iniciando sua trajetória cineclubista através do Lanterninha Aurélio, desenvolveram um trabalho muito forte no Otelo. Uma dessas pessoas é o Luiz Alberto Cassol, hoje Coordenador do Festival Santa Maria Vídeo e Cinema. O Otelo trouxe para Santa Maria um novo ânimo nas atividades cineclubistas, trazendo para a cidade vários realizadores de Porto Alegre. A trajetória normal do grupo foi voltar-se para a realização de alguns trabalhos. Em 2001 a TV OVO, Oficina de Vídeo criada a partir de oficinas de vídeo ministradas em 1996 para jovens da periferia da cidade, criou e desenvolveu durante um ano o Cineclube Porão.

Em 2002 começou um processo de articulação do movimento cineclubista de Santa Maria, possibilitando a retomada de atividades conjuntas. Isto apontou para a reativação do Cine­clu­be Lanterninha Aurélio através da aglutinação de pessoas que estiveram envolvidas nos projetos do Lanterninha, do Otelo e do Porão, para que pudéssemos ter um espaço para exibir um pouco da produção local. Com o apoio da Casa de Cultura de Santa Maria que disponibilizou seu auditório que comporta cerca de 150 pessoas. A parceria estabelecida também com a Estação Cinema e com a TV OVO foi fundamental neste processo. As atividades cineclubistas foram retomadas na metade de 2003 e de lá para cá foram desenvolvidos vários ciclos que priorizaram a produção local, gaúcha e nacional. Sempre que preciso, e de acordo com a concordância do grupo, era feito o uso de outras produções. Procurava-se ter pelo menos uma vez por mês um convidado, de preferência um realizador, para apresentar e conduzir um debate sobre determinada obra.

Outros cineclubes foram criados recentemente em Santa Maria, alguns que funcionam junto à UFSM e o outro que é coordenado pelos alunos da Comunicação Social da UNIFRA, parceiro do Lanterninha Aurélio em várias atividades.

A retomada destas atividades em Santa Maria coincidiram com o processo de rearticulação do movimento cineclubista nacional proposto pelo Ministério da Cultura.



Paulo Henrique Teixeira

Coordenação do Cineclube Lanterninha Aurélio

...fazendo alusão ozzy...

Fazendo alusão a uma frase de efeito de Ozzy Osbourne, um sequelado assumido, o Lanterninha Aurélio inicia em setembro um novo ciclo de filmes que abordam o uso de alteradores de consciência. Na próxima, quarta, dia 5 de setembro, exibe o filme de Gus Van Sant, Drugsotore Cowboy (1989), estrelado por Matt Dilon, um ator que gosta deste tipo de atuação. Interpretando um sujeito talhado para a drogadição (Bob), que percorre o centro-oeste americano roubando farmácias em busca de psicotrópicos juntamente com sua namorada e outro casal de amigos. Sua vida se resume a roubos e fugas de policiais. O filme foi feito a partir da adaptação da história autobiográfica de James Fogle.

...itinerância...


O Cineclube realizou mais uma itinerância, no dia 23 de agosto visitou a Escola Medianeira e realizou 2 sessões, sendo a primeira para crianças de 3 a 9 anos que assistiram o filme "CineGibi", com os personagens do Maurício de Souza. As aventuras da Mônica e sua turma alegraram mais de 150 crianças presentes. A segunda sessão foi realizada para os alunos "maiores", de 10 a 14 anos, que assistiram curtas-metragens do acervo do Santa Maria Vídeo e Cinema. Entre as produções exibidas, muitas do centro do país, as que mais agradaram a gurizada foram "Baby Face", de Vinicius Menezes, daqui de Santa Maria e "Leonel Pé-de-Vento", dirigido por Jair Giacomini, ambientado na 4ª Colônia de Imigração Italiana.

...só pra maiores...

Cineclube Lanterninha Aurélio

Um dos mais antigos e atuantes cineclubes do Brasil, o Lanterninha Aurélio teve suas atividades iniciadas em 1978 na cidade de Santa Maria/RS. Foi criado pelo mesmo grupo de pessoas que haviam fundado, em 16 de junho de 1978, a Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda - CESMA que visava a defesa econômica e a defesa cultural de seus associados, que naquele momento encontravam enormes dificuldades para terem acesso aos livros, objeto raro e de alto custo, e outros materiais que auxiliassem a formação de seus associados.

Descontentes com a falta de possibilidades culturais, criaram o Cineclube Lanterninha Aurélio, que passou a sedr uma das atividades desenvolvidas pela Cooperativa. O nome foi escolhido como homenagem ao funcionário do Cinema Imperial, Aurélio de Souza Lima, responsável, entre outras coisas, pela manutenção da "ordem" dentro do cinema, sempre com sua lanterna. Também era ele que acabava liberando a entrada para os guris que não tinham dinheiro para o ingresso. Seu Aurélio acompanhou mais de uma geração de cinéfilos formados em Santa Maria.

O Ciineclube nasceu impulsionado pelo desejo de jovens combativos, estudantes da primeira universidade federal do interior do país, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Era o período do final da ditadura militar com censura muito forte e os agrupamentos de pessoas ainda eram restritos, principalmente dentro da universidade. Envolvidos com a militância estudantil, conseguiram através de uma pró-reitoria um projetor de 16mm, com a desculpa de montar um grupo de estudos de cinema, que acabou tendo um desdobramento que o arco da universidade. Um deles, Paulo dos Santos Pires, estudante do curso de agronomia - na época mais concorrido que o de medicina e que as engenharias, trouxe muita gente para Santa Maria, pois estávamos em plena "revolução verde" - com passagem pelo movimento sindical paulista possibilitou o acesso à Dinafilme, distribuidora de filmes do movimento cineclubista brasileiro que viria a ser extinguida anos mais tarde pelo governo Collor.

Usavam os auditórios da universidade e exibiam muitos filmes, todos de cunho político, característica também comum naquela época. Como militantes que eram, passaram a buscar as bases populares levando os filmes para os bairros e vilas periféricas da cidade. Escolhiam os filmes, apresentavam e discutiam com as comunidades o conteúdo exibido, buscando uma reflexão da realidade vivida no país naquele momento. Era uma atividade subversiva e assim passou a ser tratada pelas autoridades. Um dos cineclubistas históricos do Lanterninha até bem pouco tempo ainda respondia a um processo da Polícia Federal.

Os anos foram passando, o contexto político foi mudando com a Abertura, as pessoas envolvidas foram terminando seus cursos e deixando Santa Maria; outras passaram a ter um envolvimento maior, e o Cineclube seguiu uma nova fase de fruição cinematográfica, mas sempre buscando novos públicos, ou ainda, pessoas sem acesso à filmografias. Até a metade dos anos 80 foram exibidos, em diversos locais da cidade, mais de 200 filmes em 16mm.

Houve uma nova formatação da equipe e do Cineclube que coincidiu com a entrada do VHS no mercado. A CESMA começara a montar uma locadora, tendo uma base de conhecimento cinematográfico em função da experiência advinta da atividade cineclubista. As sessões passaram a ter data e local fixo - sempre às 19h das quartas-feiras na sala 07 da antiga reitoria, no centro da cidade. Assim foi possível trabalhar com ciclos temáticos, explorando a filmografia de determinados diretores e de temas propostos, funcionando dessa forma até 1995.

O cenário mudou novamente, a sala 07 foi requisitada pela universidade, o grupo de trabalho perdeu peças, provocando um período de inatividade. No entanto, o Cineclube permaneceu no "inconsciente coletivo", pois continuaram acontecendo algumas sessões, mesmo que isoladas.

Em 1995 foi criado o Otelo Cineclube, ligado ao Sindicato dos Bancários de Santa Maria, que funcionou até o final do ano seguinte. A TV OVO - Oficina de Vídeo, criou e manteve o Cineclube Porão durante o ano de 2001.

Em 2003, pessoas envolvidas com esses cineclubes, se reuniram novamente para retomar as atividades do Lanterninha Aurélio.
Inicialmente, as sessões ocorriam na Casa de Cultura, dentro do projeto "Curta nas Quartas", sempre às 19h com entrada franca. Esse espaço consolidou a ação do Lanterninha Aurélio nessa nova fase de atividades, voltada para a filmografia nacional e durou até 2005.

A partir de novembro de 2005, finalmente a CESMA e o Lanterninha ganharam sua casa própria e definitiva na rua professor braga, 55. Desde então, o projeto cresceu, e inumeras ações estão sendo desenvolvidas. Além da clássica quarta-feira, como a retomada das exibições itinerantes, oficinas de cineclubismo na cidade e na região central, grupos de estudos e maior inserção junto ao movimento cineclubista nacional e ibero-americano.

Dessa forma, em 2006, a cidade de Santa Maria foi sede da 26ª Jornada Nacional de Cineclubes e do II Encontro Ibero-americano de Cineclubes, registrando o nome da cidade e do Cineclube Lanterninha Aurélio na história do movimento. Reconhecimento merecido, devido a longa tradição da cidade com o cineclubismo, e do empenho de diversos amantes do cinema, que mesmo de diferentes gerações, aproximam-se pela mesma paixão.